terça-feira, 12 de agosto de 2008

31. tom de voz

Não digas mais palavras. Não, que eu não as quero ouvir. Estou cansada da tua voz, com a mania que é sabichona, sempre a querer convencer-me de que tu é que tens razão de tudo e que eu sou alguém sem opinião própria. Deves gostar de mim porque te deixo sempre fazer o que queres, podes partir e eu aceito-te sempre de volta. Podes pôr-me quantos pares de cornos tu quiseres que eu pareço sempre gostar desse tipo de enfeites. Deves-me achar a maior idiota chapada, da qual tu podes encontrar sempre amor e sexo. Que está sempre à tua espera, na mesma casa de paredes gastas. Deves pensar que a porta está sempre aberta e tu podes entrar, sorrateiramente, e infiltrares-te na minha cama, nos meus lençóis. No meu corpo. Sei que qualquer dia a fechadura será mudada e, quando tu voltares, vais olhar pela janela e ver que na minha cama está outro homem e o meu coração já não é teu. Nesse dia, vais perceber que não és ninguém e vais rastejar por todas as ruas e beber de todos os poços, apenas para sassear a sede e saberes que o teu coração ainda bate, por nada.

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