Para ser artista não basta dizerem-te "desenha este corpo nu" e tu ires desenhar. Aqui és uma mão puxada por uma linha imaginária a quem te manda.
Artista desenha ensonado. Acorda num frenesim de ideias. Quando pega no pincel, dilui-se com a água e dissolve-se com a tinta. Apaga o mundo circundante com a mancha e deixa de ser um corpo, passa a ser um movimento suave ou rebelde.
Não sou artista quando faço o que me mandam, sou só um cadáver a correr atrás da sociedade. Sou artista quando faço o que quero, como eu quero. Quando sentes a vontade como uma bala a rasgar-te a pele. Sou artista quando estou frustrada sem soluções para expressar as minhas ideias. Sou desistente quando largo o caderno por não dar - deixo de ser artista.
Sou artista quando caiu no erro, quando o admito como erro e quando tenho convulsões por o desvendar da forma correcta. Correcta para mim! Correcta para vocês é comodismo, é largar o artista.
Errar também é criar. Também é ser obra. Ser artista
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