domingo, 8 de abril de 2012

305.


"Era eu a convencer-te de que gostas de mim, tu a convenceres-te de que não é bem assim. Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro, tu a argumentares os teus inevitáveis. Eras tu a dançares em pleno dia e eu encostado como quem não vê. Eras tu a falar para esconder a saudade e eu a esconder-me do que não se dizia.(...) Desviando os olhos por sentir a verdade, juravas a certeza da mentira mas sem queimar de mais, sem querer extinguir o que já se sabia. Eu fugia do toque como do cheiro por saber que era o fim da roupa vestida que inventara no meio do escuro onde estava, por ver o desespero na cor que trazias. Era eu a despir-te do que era pequeno, tu a puxares-me para um lado mais perto onde se contam histórias que nos atam ao silêncio dos lábios que nos mata. Eras tu a ficar por não saberes partir e eu a rezar para que desaparecesses, era eu a rezar para que ficasses tu a ficares. Enquanto saías não nos tocamos. (...) E vamos fugindo porque quebramos como crianças. (...) É quase pecado que se deixa, quase pecado que se ignora."

Fez todo o sentido (para mim) desculpem a carne fraca não me julguem
(é só tpm a falar. não oiçam)

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