terça-feira, 27 de março de 2012

302.



Sentimos no ar a melodia etérea. É a nossa música. Cantamos e dançamos como se fosse a última vez, o último olhar, o último toque, o último beijo. Estás linda. O teu vestido, da cor do vinho que enche os copos, aquece o chão que pisas e relembra a razão. Todas as razões. Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui. Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui. Os olhos param em ti e em mim, enquanto preenchemos o espaço vazio, impossível de preencher por alguém que não nós. Não pedimos o fim, mas não nos importamos se acabar assim. Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui. Diz-lhe para parar aqui! Eu queria tanto parar aqui! O mundo é grande e em todo o lado se vive. Diz-lhe para parar aqui, vivemos em caixas de fósforos. Não sopres. Se as mãos pudessem dizer por mim. Se as mãos... Eu queria tanto parar aqui!

Pára.

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