terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

282.

Cuspir novas palavras para ti. Mas razão não há propriamente nenhuma. Vão ser como sempre as mesmas hipérboles, que no momento só se chamam eufemismos. Disparates que se contam, tentativas espalhafatosas de descrição de cenários do coração. Mariquisses, chamo-lhes eu.
Mariquisses que passei a repudiar, e delas só quero distância. Mas num dia tão fútil e mesquinho como o de hoje, tinha que acabar por esbarrar, por cair nos lugares comuns. Por disparatar em três linhas extensas de todos os sorrisos - todas as danças - todas as trocas - todos amor.

(estas são as três linhas secretas que só eu escrevi e só eu pude ler. e só tu também as pudeste ler, pintadas a aguarela nas costas da tua mão, nos meus beijos marcados)

Lembraste da nossa palavra secreta inventada, que era a personificação do nosso sentimento partilhado? Claro que te lembras, viveste-a comigo - a palavra e o momento -, só não sei se ainda o procuras lembrar - a palavra e o momento -.

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