Sempre gostaste de planos caseiros, de ficar em casa no sofá a ver filmes, a ler, ou a olhar a mobília - como se já não a conhecesses bem pelos dias que já a havias observado. Gostavas de gastar umas horas da tarde a dormir enrolado a mim ou ao teu estúpido cobertor de infância. Não era da tua casa que gostavas, era apenas do conceito casa. Lar. De te sentires acolhido, seguro. Não gostavas de te por à prova e tinhas os teus planos. Era bom, mas enfastiante. As poucas vezes que saias de casa era para ires para o teu trabalho, para ganhares o teu dinheiro, para pagares o teu apartamento. Ou também para ires ao supermercado mais perto de ti, para comprares os teus alimentos, para ficares mais tempo em casa.
Eu era o teu avesso, gostava do ar fresco. Dizia que a tua casa era abafada e devias de abrir mais vezes as janelas, mas tu nunca gostavas da ideia. Gostavas que aquele calor te desse a sensação de aconchego. Eu não procurava isso. Procura liberdade, procurava andar sem destino, podia ser de olhos fechados até. Procurar para encontrar. Seguir sem destino para conhecer. Eu podia manter-me dias longe de casa, perdida, eu e o meu carro no mundo. Virando em cada beco e descobrindo em cada cruzamento. Gostava do desconhecido, tu, pelo contrário, gostavas do conhecido.
Talvez por isso, nunca nos conhecemos verdadeiramente, apenas sorriamos quando diziam que os opostos se atraiam.
Eu era o teu avesso, gostava do ar fresco. Dizia que a tua casa era abafada e devias de abrir mais vezes as janelas, mas tu nunca gostavas da ideia. Gostavas que aquele calor te desse a sensação de aconchego. Eu não procurava isso. Procura liberdade, procurava andar sem destino, podia ser de olhos fechados até. Procurar para encontrar. Seguir sem destino para conhecer. Eu podia manter-me dias longe de casa, perdida, eu e o meu carro no mundo. Virando em cada beco e descobrindo em cada cruzamento. Gostava do desconhecido, tu, pelo contrário, gostavas do conhecido.
Talvez por isso, nunca nos conhecemos verdadeiramente, apenas sorriamos quando diziam que os opostos se atraiam.

Ora aí está um tema que dá que pensar!! Será mesmo que os opostos se atraem? Eu acho que sim, mas também acho que não: é que depende das pessoas e do quão opostas possam ser. Se as ideias forem 100% diferentes, não me parece possível criar ou manter uma relação. Mas isto é só uma suposição. Quem sabe o que nos poderá acontecer daqui para a frente, não é!?
ResponderEliminargostei tanto do texto sara :)
ResponderEliminarestá fantástico!
É sobre uns prisioneiros que são muito muito mal tratados (no filme vêem-se coisas horríveis) até que decidem fazer uma greve de fome (a valer, porque já tinham feito outras das quais tinhas desistido), e acabam por morrer alguns deles.
ResponderEliminarpor acaso não :O
ResponderEliminarfiquei mesmo triste, o meu martelo tinha ficado sem apito, e por isso já não tinha piada --'
O filme é, de facto, violento, mas não deixa de ser interessante! :)
ResponderEliminaradoro o texto... faço um filme na cabeça só ao lê-lo. e a foto combina muito bem (:
ResponderEliminarAcabei mesmo agora de ver o «Vicky Cristina Barcelona» e adorei! É assim, é um filme de extremos: ou gostas ou não gostas, não há meio termo. Tem definitivamente a marca do Woody Allen, a história é rebuscada mas vale a pena! Principalmente se fores assim do mundo das Artes, fotografia, pintura, viajar. O cenário é lindo de morrer e o elenco é de prestigio!
ResponderEliminarNão é um filme nada convencional, por isso se fores tradicionalista não é para ti. Mas não me pareces nada disso, ihih.
Eu gostei mesmo muito, é diferente, mas é preciso saber vê-lo, porque aborda alguns assuntos que a maioria das pessoas é preconceituosa. Aconselho-te a ver mesmo! Mesmo que não gostes, é um filme indipensável, principalmente por ser de um génio como o Woody Allen <3