quinta-feira, 12 de março de 2009

183.

As coisas mudaram, tanto. Já não somos o que éramos e chego a não nos reconhecer.
Estou cansada de fingir, enganar-me ao pensar que está tudo bem, que temos uma amizade perfeita com tudo de perfeito, que estou contigo as vezes que queria estar e temos a maior ligação, invejável a qualquer outra amizade. As coisas não são como nós as pintamos; porque é que escondemos a realidade? Já nada é como era, parece que estamos a pegar nos restos e a tentar recompô-los, mas faltam sempre peças. E criam-se buracos e fugas, por onde tudo foge. Não gosto de fingir, muito menos me sentir culpada, mas eu quero dizer o que sinto. E quero saber se tu sentes o mesmo (eu sei que isto não é apenas um devaneio meu). Sei que é a nossa realidade. O que mais me assusta nisto tudo não é a ideia de que no futuro tu poderás não estar inserido no meu dia-a-dia, mas sim o estrondoso caminho que já corremos em direcção ao abismo, sem termos dado conta. Olhar para trás faz-me pensar que agora somos poeira e fragmentos de amizade.

(conforme o dia de amanhã, decidirei se te mostro isto ou não)

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