Somos fantoches, dos quais não temos auto-controlo. As nossas bases fazem-nos a vida toda, até ao dia em que entramos no nosso caixão. Os pequenos detalhes, vamos nós polindo conforme batemos fortemente contra a muralha que nos cerca do mundo que vemos do lado de fora. Conseguimos vê-lo, mas não o conseguimos ter. Criamos um amor pelo que é dos outros e o que é nosso repugna-nos. Queríamos o que é deles, dávamos a vida por começar tudo de novo, naquele sítio. Naquele mundo diferente do nosso.
A vida é curta porque são muitos anos a viver sempre o mesmo. Sorte tem quem encontra uma folga na barreira e consegue fugir. Quem cria uma nova vida longe de tudo, sem tremer um dedo ou duvidar de uma decisão.
O medo atormenta e leva-nos a quebrar, a falecer interiormente. A desistir de todas as conquistas que temos, e a nossa área diminui, os bichos atacam e devoram tudo. Ficamos sem nada e caímos num abismo. Lá vemo-nos a nós, um candeeiro de luz fraca aponta para nós (como se fosse uma luz bem reluzente, a chamar-nos de imbecis… na verdade, tem a força de uma vela, uma das tantas que encontramos nas promessas de Fátima). Ao nosso lado não está ninguém, nós afastámos todos os que se aproximaram, o buraco é escuro e faz-nos duvidar de qualquer amizade… leva-nos a gostar só de observar e desejar, leva-nos a uma inveja total. Temos apenas uma caixinha de recordações. Isso é o nosso mundo! Temos a nossa vida. É como se morrêssemos e pudéssemos ir ao clube de vídeo mais próximo e alugar a cassete da nossa história. Sem cortes nem falhas. Todas as loucuras, palavras, choros, risos, fotografias, gargalhadas, alegrias, emoções, canções, euforias, raivas, desperdícios… Tudo. Tudo o que nos fazia queixar por possuir, agora perdemos. E damos-lhe a verdadeira importância. Era pouco, mas era bom! Éramos felizes num mundo hipócrita, mas a hipocrisia passava ao nosso lado. Agora consumiu-nos. E sou o quê? Hipócrita ao quadrado, talvez.
É claro que não gosto, e se pudesse… se pudesse tinha fugido o mais cedo que teria conseguido. Amarrava os medos numa caixa e atirava-os ao mar. Ia a bruxa se fosse preciso, mas fugiria. Iria para um sítio bem longe, onde a vida me soubesse a paz e eu fosse o meu próprio porto de abrigo, sem usar outros como culpados da minha perda.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário