domingo, 18 de maio de 2008

3. R


Existem vários tipos de pessoas e vários tipos de amizades. Todas se fundamentam em vivências diferentes e nos fazem divergir em diferentes pessoas, consoante o que cada um nos faz sentir. Tu sempre me levaste à loucura e me fizeste sair da rotina, ser alguém diferente e feliz como era. Foi contigo que passei por coisas que nunca julguei passar. Conheci o que para mim, antes, eram tabus. Experiências que com outros julgava impossível. Contigo a adrenalina era o limite e senti tudo com o sangue a bater forte nas artérias.
Mas de ti não advinha só a loucura. Em ti, encontrei mais que uma irmã; encontrei alguém que passava pelo mesmo que eu. Tinha o mesmo nó no coração e passávamos pelas mesmas dores que nos faziam jorrar lágrimas. (nesta altura, tu já atravessaste tudo, ou quase. Ele largou-te e tu voaste à procura da felicidade em territórios mais firmes).
Agora, não temos nada que nos ligue. Tu sempre foste uma pessoa de mudanças repentinas, as pessoas são campos que tu gostas de descobrir, viver e mais tarde partir. Regressas quando queres, porque és um pássaro livre e quem manda em ti és tu, ninguém te consegue agarrar. Mas sabes que independentemente das decisões que tomes, eu admiro-te sempre. Pela loucura que trazes dentro de ti, pela felicidade contagiante que ofereces a cada um que passa por ti. Pela facilidade em que tens a ligar-te às pessoas, ao contrário de mim.
És alguém que trarei sempre no peito e irei admirar em todos os dias da minha vida, tomar-te-ei em certa parte como exemplo a seguir. Não escrevo isto com o intuito de mostrar que chegámos a um fim e o tempo de sermos felizes juntas já passou, claro que não. Escrevo só para exprimir a melancolia que fica e o que se passa dentro de mim, cada vez que te vejo a correr em direcção a outros.


Raquel, amo-te *

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